A mídia e seu papel na mudança de comportamento

Fonte: Olimpio Araujo Junior - www.ecoterrabrasil.com.br

Os veículos de comunicação têm uma grande responsabilidade na educação e na formação de valores em nossa sociedade. A televisão tornou-se o centro da casa, local sagrado onde não se pode tirar a atenção de ninguém, pois a programação passa a ser mais importante do que qualquer necessidade afetiva ou outros contatos pessoais.

Entre os telespectadores mais ativos, estão as pessoas responsáveis pelo futuro da humanidade, as crianças. Condicionadas desde que nascem, elas aprendem todos os valores e conceitos que são passados pela tv, sendo que esta chega a ser mais importante hoje na educação infantil do que os próprios pais. A necessidade de copiar seus ídolos faz com que nossos adolescentes deixem de formar uma personalidade própria, buscando a satisfação em valores destorcidos incentivados pela indústria do consumo.

Programações educativas e construtivas são raras, dando espaço cada vez maior para filmes de guerra, de violência, ou até mesmo, desenhos que incentivam a competição e o consumo. Diariamente a televisão, o cinema e as locadoras reproduzem a cultura, a ideologia e o estilo de vida estadunidense através das grandes produções cinematográficas e das nem tão grandes, mas igualmente carregadas de mensagens sublineares que nos alienam aos poucos sem que possamos perceber. Como se a alienação e a uniformização de nossa cultura não fossem o suficiente, ainda somos obrigados a aguentar a falta de criatividade de suas produções, que parecem utilizar meia dúzia de fórmulas prontas.

O consumismo desenfreado e a necessidade de "ter para ser" são apresentados aos nossos subconscientes de forma que passamos a acreditar que todas essas informações são verdadeiras e que não é mais possível sobreviver se não bebermos o refrigerante da moda ou se o nosso carro não for igual ao daquele artista que vimos em um programa qualquer. Para sermos bonitos precisamos ser iguais as pessoas estampadas nos "outdoors" e para sermos amados precisamos possuir bens de consumo e frequentar os lugares da moda.

Mas a televisão não é o único vilão de nossa sociedade. Programas populistas de rádio, utilizados como ferramenta para campanha política ou para defesa de interesses particulares. Jornais e revistas sensacionalistas que transformam a informação em uma arma, também contribuem para uma mudança negativa de comportamento de nossa sociedade. Na Internet, considerada o meio de comunicação mais democrático do planeta, qualquer boato pode virar notícia, assim, tem crescido assustadoramente o número de mensagens virtuais de origem e conteúdo duvidoso, o que muitas vezes acaba comprometendo até mesmos os veículos de comunicação sérios.

A mídia tem o poder de construir verdades. Não esqueço de uma propaganda da Folha de São Paulo, produzida pela W/Brasil em 1987, que após enumerar diversas qualidades de um líder político enquanto uma imagem desfocada tomava forma, afirmava no final: "É possível contar um monte de mentiras, dizendo só a verdade", e em seguida aparecia a foto do ditador Adolf Hitler. Qualquer notícia pode passar a ser verdadeira no imaginário coletivo quando passada da maneira correta.

Na Era da Informação do atual mundo globalizado, onde o conhecimento se multiplica em questão de segundos, a principal e mais marcante característica que podemos observar é a penetrabilidade das tecnologias da informação e as transformações que as mesmas causam na sociedade, causando uniformidade e banalização dos valores sociais, éticos, morais e culturais. Nunca o homem teve tanto poder de comunicar e nunca sua responsabilidade moral diante da sociedade foi tão grande.

Democratizar a comunicação não significa somente o direito à informação, mas que todos tenham o direito a comunicar e a informar, porém, este direito deve ser exercido com responsabilidade, pois informações incorretas podem muitas vezes causar danos irreparáveis. Precisamos nos conscientizar disso e começar a boicotar veículos de comunicação anti-éticos, sem compromisso com a qualidade de seus conteúdos e sem respeito com seus usuários.

A impunidade, as denúncias diárias de corrupção, o baixo nível resultante da busca pela audiência à qualquer custo, a descrença nos valores da política, o consumismo desenfreado, o capitalismo selvagem, a exploração do sexo como produto de venda, a banalização da violência, passaram a ser vistas como uma cobertura informativa de entretenimento, ou seja, informações banais.

Quanto mais divulgamos notícias sensacionalistas e banalizamos o que é ruim, mais estas coisas tornam-se comuns na vida das pessoas. Há alguns anos, ouvir falar em corrupção era um escândalo, hoje é comum vermos pessoas afirmando que "é melhor votar em fulano, por que ele rouba, mas faz!" Isso acontece, por que a corrupção deixou de ser impactante, tornou-se comum na vida das pessoas, ao contrário de iniciativas positivas, que raramente são apresentadas na mídia, pois não dão tanta audiência. Precisamos divulgar cada vez mais notícias positivas, para que estas sim passem a serem comuns na vida das pessoas, tornem-se exemplos a serem seguidos, aí então, quando forem divulgadas informações negativas, estas chocarão a todos.

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